A RN 682 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde a broncoscopia com criobiópsia transbrônquica. Desde 03/11/2026, o procedimento é de cobertura obrigatória para os beneficiários que se enquadram na nova Diretriz de Utilização, a DUT 177.
A mudança interessa a quem trabalha com regulação, autorização, faturamento e auditoria. O procedimento já tem código na CBHPM, mas ainda não foi incorporado à TUSS. Essa combinação exige atenção na hora de solicitar, autorizar e remunerar.
Neste guia, você vai entender o que a RN 682 alterou, como a criobiópsia é feita, quais são os critérios da DUT 177 e o que conferir em cada solicitação.
- Procedimento incluído: broncoscopia com criobiópsia transbrônquica
- Diretriz de utilização: DUT 177
- Vigência: 03/11/2026
- Público: pacientes com suspeita de doença pulmonar intersticial (DPI) que precisam de biópsia para diagnóstico histopatológico
- CBHPM: código 40202844, porte 10A
- TUSS: código ainda não incorporado
O que é a RN 682 da ANS
A RN 682/2026 é uma resolução normativa da ANS que atualiza os anexos da RN 465/2021, a norma que reúne o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. O Anexo I lista os procedimentos de cobertura obrigatória; o Anexo II traz as Diretrizes de Utilização, que definem em quais situações clínicas essa cobertura se aplica.
Com a RN 682, a broncoscopia com criobiópsia transbrônquica passa a constar no Anexo I. No Anexo II, a norma cria a DUT 177, que estabelece os critérios de cobertura do procedimento.
O Rol vale para os planos contratados a partir de 02/01/1999, chamados de planos novos, e para os planos antigos adaptados à Lei 9.656/1998, sempre respeitando a segmentação assistencial contratada. Se você acompanha as atualizações recentes, veja também o que mudou com a RN 680 e com a RN 681.
O que mudou no Anexo I e no Anexo II
No Anexo I, entra um procedimento novo: a broncoscopia com criobiópsia transbrônquica. Até então, a coleta de tecido pulmonar por broncoscopia no Rol era feita com pinça, e a alternativa para amostras maiores era a biópsia cirúrgica.
No Anexo II, a DUT 177 delimita a cobertura. Ela não vale para qualquer indicação de biópsia pulmonar. O foco são os casos de suspeita de doença pulmonar intersticial em que a tomografia não foi suficiente para fechar o diagnóstico.
Linha do tempo: da Consulta Pública 174 à vigência
A incorporação seguiu o rito de atualização do Rol. A proposta foi aprovada para consulta pública na 640ª Reunião Ordinária da Diretoria Colegiada, em 17/07/2026.
A Consulta Pública 174 recebeu contribuições da sociedade entre 23/07 e 11/08/2026. Depois da análise, a RN 682 foi publicada em outubro de 2026 e entrou em vigor em 03/11/2026.
O que é a criobiópsia transbrônquica
A criobiópsia transbrônquica é um procedimento endoscópico para coletar fragmentos de tecido pulmonar usando frio. Em vez de cortar o tecido com uma pinça, o médico congela uma pequena área e retira o fragmento aderido à ponta de uma sonda.
O objetivo é obter amostras maiores e com a arquitetura do tecido mais preservada, o que ajuda o patologista a avaliar o padrão da doença pulmonar intersticial.
Como o procedimento é feito
O procedimento costuma seguir quatro etapas:
- Broncoscopia flexível: é realizada sob sedação profunda ou anestesia geral, com a via aérea protegida.
- Posicionamento da criossonda: a sonda passa pelo canal de trabalho do broncoscópio até a periferia do pulmão, em geral guiada por fluoroscopia.
- Congelamento: a ponta da sonda é resfriada por poucos segundos com gás, como CO₂ ou N₂O. O tecido congela e adere à sonda.
- Retirada em bloco: sonda e broncoscópio saem juntos, levando o fragmento. Um balão bloqueador costuma ser usado para conter sangramento.
O material segue para análise histopatológica, que é o objetivo central da indicação prevista na DUT 177.
Diferença entre pinça, criobiópsia e biópsia cirúrgica
A criobiópsia ocupa um espaço intermediário entre as duas opções que já existiam no Rol.
| Método | Amostra | Invasividade |
|---|---|---|
| Biópsia transbrônquica com pinça | Fragmentos pequenos, sujeitos a esmagamento | Endoscópica |
| Criobiópsia transbrônquica | Fragmentos maiores, com arquitetura preservada | Endoscópica, sem incisão no tórax |
| Biópsia pulmonar cirúrgica | Amostra ampla, referência diagnóstica | Cirúrgica, com anestesia geral e internação |
Para a doença pulmonar intersticial, o tamanho e a qualidade da amostra fazem diferença. Por isso a criobiópsia ganhou espaço como alternativa menos invasiva à cirurgia em casos selecionados.
Riscos e estrutura necessária
Os principais riscos descritos para a criobiópsia são pneumotórax e sangramento. Por isso, o procedimento exige equipe treinada, controle da via aérea e recursos para manejo de intercorrências.
Para a auditoria, esse ponto ajuda a entender por que o procedimento costuma ocorrer em ambiente hospitalar e com anestesia. Confirme no texto integral da DUT 177 se há exigências específicas de profissional ou de ambiente.
DUT 177: critérios de cobertura da RN 682
A DUT 177 define quando a criobiópsia é de cobertura obrigatória. De forma resumida, três condições precisam estar presentes ao mesmo tempo.
Suspeita de doença pulmonar intersticial
O paciente precisa ter suspeita de doença pulmonar intersticial (DPI). Esse grupo reúne doenças que afetam o interstício pulmonar, como a fibrose pulmonar idiopática e outras pneumonias intersticiais. A hipótese diagnóstica deve estar registrada pelo médico assistente.
Necessidade de biópsia para diagnóstico histopatológico
A indicação precisa ser diagnóstica: a biópsia pulmonar é necessária para obter o diagnóstico histopatológico. A justificativa clínica deve deixar claro por que a investigação não se resolve sem a análise do tecido.
TCAR inconclusiva ou padrão indeterminado para PIU
A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) precisa ter sido inconclusiva ou apresentar padrão indeterminado para pneumonia intersticial usual (PIU).
A PIU é o padrão típico da fibrose pulmonar idiopática. Quando a TCAR mostra um padrão típico, o diagnóstico pode ser feito sem biópsia. A DUT 177 cobre justamente os casos em que a imagem não permite essa conclusão.
Este é um resumo para fins didáticos. Consulte o texto integral da DUT 177 no Anexo II da RN 465/2021, atualizado pela RN 682/2026, antes de decidir uma solicitação.
Codificação da RN 682: CBHPM 40202844 e a ausência de código TUSS
A RN 682 trouxe uma situação que gera dúvida no dia a dia: o procedimento está no Rol e na CBHPM, mas ainda não tem código TUSS.
Parâmetros CBHPM do código 40202844
| Campo | Valor |
|---|---|
| Código CBHPM | 40202844 |
| Descrição | Broncoscopia com criobiópsia |
| Porte | 10A |
| UCO | 105,610 |
| Número de auxiliares | 1 |
| Porte anestésico | 5 |
O valor final depende da edição da CBHPM adotada no contrato e dos percentuais negociados entre operadora e prestador. Para fazer a conta com qualquer edição, use a calculadora CBHPM online da Magister.
Sem código TUSS: o que isso muda na prática
A TUSS é a terminologia usada nas guias do padrão TISS. Sem um código TUSS específico, a criobiópsia não tem uma linha própria para ser informada na guia.
Isso não suspende a cobertura. A obrigação vale desde 03/11/2026. Até a ANS publicar o código, prestadores e operadoras precisam alinhar como o procedimento será solicitado, autorizado e faturado.
Vale registrar a orientação adotada por escrito, para evitar glosa e retrabalho quando o código for publicado. Para acompanhar os códigos vigentes, use a consulta de códigos TUSS e a Correlação TUSS x Rol.
Checklist da RN 682 para auditoria e regulação
Na análise de uma solicitação de criobiópsia, confira:
- Laudo da TCAR: anexado e descrevendo resultado inconclusivo ou padrão indeterminado para PIU
- Hipótese de DPI: registrada no pedido médico
- Justificativa clínica: explica a necessidade do diagnóstico histopatológico
- Codificação na guia: segue a orientação vigente da operadora até a publicação do código TUSS
- Valoração: referência pela CBHPM 40202844, conforme a edição e o percentual do contrato
- Segmentação do plano: compatível com a cobertura do procedimento
Impactos da RN 682 para operadoras e prestadores
Para operadoras
A regulação precisa atualizar protocolos de análise e parametrizar o sistema para reconhecer a DUT 177. Como ainda não há código TUSS, também é preciso definir uma regra temporária de entrada da solicitação.
No credenciamento, vale revisar contratos e aditivos dos prestadores que realizam broncoscopia, incluindo a referência à CBHPM 40202844.
Para prestadores e hospitais
Os serviços de pneumologia e endoscopia respiratória precisam organizar a documentação exigida pela DUT 177, principalmente o laudo da TCAR e a justificativa clínica.
O faturamento deve acompanhar a orientação de cada operadora sobre a codificação e conferir a negociação de valor antes de realizar o procedimento.
Perguntas frequentes sobre a RN 682
O que é a RN 682 da ANS?
É a resolução normativa que incluiu no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde a broncoscopia com criobiópsia transbrônquica e criou a DUT 177, com os critérios de cobertura.
Quando a RN 682 entrou em vigor?
Em 03/11/2026. Desde essa data, a cobertura é obrigatória para os casos que atendem à DUT 177.
O plano de saúde é obrigado a cobrir a criobiópsia pulmonar?
Sim, nos planos novos e adaptados, respeitada a segmentação contratada, quando o paciente atende aos critérios da DUT 177: suspeita de doença pulmonar intersticial, necessidade de biópsia para diagnóstico histopatológico e TCAR inconclusiva ou com padrão indeterminado para PIU.
A criobiópsia já tem código TUSS?
Não. O código ainda não foi incorporado à TUSS. Até a publicação, prestadores e operadoras precisam alinhar como o procedimento será informado na guia.
Qual é o código CBHPM da criobiópsia?
É o 40202844, Broncoscopia com criobiópsia, com porte 10A, UCO 105,610, 1 auxiliar e porte anestésico 5.
O que significa padrão indeterminado para PIU?
É quando a tomografia de alta resolução mostra alterações que não permitem classificar o caso como pneumonia intersticial usual, o padrão típico da fibrose pulmonar idiopática. Nesses casos, a biópsia pode ser necessária para o diagnóstico.
A falta de código TUSS suspende a cobertura?
Não. A obrigação de cobertura começou na vigência da RN 682. A ausência do código afeta a forma de solicitar e faturar, não o direito à cobertura.
Acompanhe as atualizações do Rol com a Conexão e o Magister
A RN 682 mostra como uma incorporação no Rol pode chegar antes da codificação completa. Quem trabalha com regulação, faturamento e auditoria precisa acompanhar cada etapa.
Consulte tabelas TUSS e parâmetros CBHPM e acompanhe quando a criobiópsia ganhar código TUSS.
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Fontes: RN 682/2026 no portal da ANS · Consulta Pública 174 da ANS · Legismap: abertura da Consulta Pública 174 · Associação Médica Brasileira (CBHPM)





