RN 681: o que muda com a colangioscopia com litotripsia no Rol da ANS

RN 681: colangioscopia com litotripsia incluída no Rol da ANS com a DUT 176

A RN 681, publicada pela ANS em 6 de outubro de 2026, incluiu no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde a colangioscopia peroral com litotripsia a laser ou eletro‑hidráulica. Desde 3 de novembro de 2026, a cobertura é obrigatória para pacientes com cálculos biliares complexos quando a CPRE convencional não resolveu o caso.

Para quem trabalha com auditoria, regulação, credenciamento ou faturamento, a novidade traz um ponto de atenção. O procedimento já tem referência na CBHPM, mas ainda não tem código na TUSS.

Neste guia, você vai entender o que diz a norma, como o procedimento é feito, como ler a DUT 176 e o que fazer enquanto a codificação não sai.

RN 681 em resumo

ItemInformação
NormaResolução Normativa nº 681/2026, que altera a RN 465/2021
Publicação06/10/2026, no Diário Oficial da União
Vigência03/11/2026
Procedimento incluídoColangioscopia peroral com litotripsia a laser ou eletro‑hidráulica
Diretriz de utilizaçãoDUT 176
Código CBHPM4.02.02.85-2
Código TUSSAinda não publicado (situação em 04/11/2026)

O que a RN 681 alterou no Rol da ANS

A RN 681 altera os Anexos I e II da RN 465/2021, a norma que reúne o Rol de Procedimentos vigente. O Anexo I recebe o novo procedimento. O Anexo II recebe a DUT 176, que define em que situação a cobertura passa a ser obrigatória.

Na prática, a norma não troca o tratamento padrão. A CPRE convencional continua sendo a primeira abordagem para retirar cálculos da via biliar. A colangioscopia com litotripsia entra como estratégia de resgate, para os casos em que a técnica convencional falhou.

Como todo item do Rol, a cobertura vale para os planos contratados a partir da Lei 9.656/1998 e para os planos adaptados, sempre respeitando a segmentação assistencial do contrato.

A RN 681 chega logo depois da RN 680, que trouxe outras mudanças no Rol e nas diretrizes de utilização.

Como foi o caminho até a incorporação

A proposta tramitou na ANS como UAT 199 e teve uma particularidade: começou com recomendação preliminar desfavorável e terminou aprovada.

  1. Julho de 2026: primeira análise na 53ª reunião da Cosaúde, com recomendação preliminar desfavorável.
  2. Agosto de 2026: consulta pública nº 175 e audiência pública nº 68 recebem contribuições da sociedade.
  3. Setembro de 2026: a Cosaúde reanalisa a proposta com base nas contribuições.
  4. Outubro de 2026: a Diretoria Colegiada aprova, por unanimidade, a recomendação final favorável (Nota Técnica de Recomendação Final nº 39/2026).
  5. 06/10/2026: publicação da RN 681.
  6. 03/11/2026: início da vigência.

Segundo a área técnica da ANS, as contribuições recebidas não alteraram os resultados dos estudos. Elas reduziram as incertezas sobre a implementação da tecnologia e sobre o impacto econômico, o que levou à mudança de posição.

Como é feita a colangioscopia com litotripsia

Cálculos que migram da vesícula para o ducto biliar (coledocolitíase) costumam ser retirados por CPRE, com balão ou cesta. Alguns, porém, são grandes, ficam impactados ou estão em pontos de anatomia difícil. São os chamados cálculos biliares complexos, que muitas vezes não saem pela técnica convencional.

Nesses casos, o paciente podia passar por novas CPREs, com tentativas sucessivas, e em parte dos casos chegar à cirurgia convencional, mais invasiva. A colangioscopia permite enxergar o cálculo por dentro do ducto e fragmentá‑lo sob visão direta.

Passo a passo do procedimento

  1. Acesso pela boca: o endoscópio chega à papila duodenal pelo mesmo caminho da CPRE, sem incisão na pele.
  2. Colangioscopia: um colangioscópio fino entra na via biliar e mostra o cálculo em imagem direta.
  3. Litotripsia: uma fibra de laser ou uma sonda eletro‑hidráulica fragmenta o cálculo, sob visão.
  4. Retirada dos fragmentos: cesta ou balão removem os pedaços até o clareamento da via biliar.

Laser ou eletro‑hidráulica: qual a diferença

Na litotripsia a laser, uma fibra óptica conduz a energia do laser até o cálculo. Na litotripsia eletro‑hidráulica, uma sonda gera descargas elétricas em meio líquido, e as ondas de choque quebram o cálculo.

A DUT 176 cobre as duas modalidades. A escolha entre elas é técnica e cabe à equipe médica responsável pelo procedimento.

DUT 176: quando a cobertura é obrigatória

O texto da diretriz de utilização é direto:

Cobertura obrigatória para o tratamento de cálculos biliares complexos após falha de tratamento por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) convencional.

Os dois requisitos da DUT 176

Para a cobertura ser obrigatória, as duas condições precisam estar presentes ao mesmo tempo:

  1. Cálculo biliar complexo. Na nota técnica que embasou a decisão, a ANS descreve a população elegível como pacientes com cálculos considerados complexos por características anatômicas, localização e condição clínica, conforme avaliação do médico assistente.
  2. Falha prévia da CPRE convencional. O procedimento é resgate. A tentativa convencional precisa ter acontecido e não ter conseguido a remoção completa dos cálculos.

O que conferir na auditoria prévia

A DUT não lista documentos obrigatórios. Na rotina de auditoria, estes pontos ajudam a analisar o pedido com segurança:

  • Relatório da CPRE anterior, com a descrição da tentativa e do motivo da remoção incompleta.
  • Descrição do cálculo no pedido médico ou em exame de imagem: tamanho, localização e condição que o torna complexo.
  • Justificativa clínica do médico assistente para a técnica de resgate.
  • Segmentação assistencial do plano do beneficiário.

Quando o pedido fica fora da DUT 176

Fica fora da cobertura obrigatória o pedido de colangioscopia com litotripsia como primeira abordagem, sem tentativa anterior por CPRE convencional. Nesses casos, a negativa precisa ser fundamentada e comunicada ao beneficiário conforme as regras da ANS.

CBHPM e TUSS: como fica a remuneração

Aqui está o ponto que mais gera dúvida no faturamento. O procedimento já tem referência de valor na CBHPM, mas ainda não ganhou código na TUSS.

Referência na CBHPM

Na CBHPM, o procedimento aparece no código 4.02.02.85-2: Colangiopancreatoscopia com litotripsia a laser ou eletro‑hidráulica para o tratamento de cálculos bíleo‑pancreáticos complexos.

Parâmetro CBHPMValor
Porte13A
UCO (custo operacional)30,517
Número de auxiliares1
Porte anestésico4

O valor final em reais depende da edição da CBHPM e das condições pactuadas em cada contrato, como deflatores ou acréscimos sobre portes e UCO. Para simular, use a calculadora CBHPM.

Ainda sem código TUSS

A TUSS é a terminologia obrigatória na troca de informações do padrão TISS entre operadoras e prestadores. Até a data deste artigo, o código CBHPM 4.02.02.85-2 ainda não foi incorporado à Tabela 22 da TUSS.

Vale notar também a diferença de nomenclatura. O Rol fala em colangioscopia peroral para cálculos biliares complexos. A CBHPM fala em colangiopancreatoscopia para cálculos bíleo‑pancreáticos complexos. Quando o código TUSS sair, confira a correlação TUSS x Rol publicada pela ANS para saber qual termo ficou vinculado à cobertura.

O que fazer enquanto o código TUSS não sai

  • A cobertura não espera o código. Desde 03/11/2026 a operadora deve garantir o procedimento quando o caso atende à DUT 176.
  • O honorário tem base. Porte 13A, UCO 30,517, um auxiliar e porte anestésico 4 servem de referência para a negociação.
  • A codificação precisa de acordo. Operadora e prestador devem definir em contrato ou aditivo como o procedimento será cobrado até a publicação do código TUSS.
  • Materiais pedem regra clara. Cateter de colangioscopia e fibra de laser ou sonda eletro‑hidráulica costumam pesar na conta e precisam de critério de remuneração definido.
  • Acompanhe as atualizações da TUSS. Quando o código for publicado, revise contratos, tabelas e parametrizações de sistema.

Por que a ANS aprovou a incorporação

A análise de eficácia reuniu quatro ensaios clínicos randomizados, que compararam a colangioscopia com diferentes técnicas convencionais. A conclusão foi que a tecnologia pode aumentar as chances de clareamento completo do ducto biliar. A própria ANS classificou a certeza dessas evidências de baixa a muito baixa, por limitações dos estudos.

O estudo econômico apontou a tecnologia como dominante: mais efetiva e de menor custo. A análise de impacto orçamentário estimou economia de R$ 4,1 milhões por ano para a saúde suplementar, considerando cerca de 20.247 pacientes por ano e difusão de 10% a 30% em cinco anos.

Segundo a ANS, a economia vem principalmente da redução de procedimentos repetidos, reintervenções, complicações e internações ligadas às tentativas sucessivas pela técnica convencional.

Impactos para operadoras, prestadores e auditoria

Operadoras

É hora de revisar protocolos de autorização, incluir a DUT 176 nos critérios de análise e mapear quais prestadores da rede realizam o procedimento. Sem código TUSS, também é preciso orientar a equipe de contas sobre como o item será recebido e analisado.

Prestadores

Hospitais e serviços de endoscopia precisam documentar bem a falha da CPRE anterior e alinhar com cada operadora a forma de cobrança. Negociar antes evita glosa depois.

Auditoria

A auditoria prévia confere os dois requisitos da DUT. A auditoria de contas confere se o que foi cobrado corresponde ao que foi pactuado, especialmente em honorário, taxas e materiais de alto custo.

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Conclusão

A RN 681 amplia o acesso a uma técnica de resgate para cálculos biliares complexos, com regra clara na DUT 176: cálculo complexo e falha prévia da CPRE convencional. O desafio agora é operacional. Com referência na CBHPM e sem código TUSS, operadoras e prestadores precisam combinar desde já como o procedimento será cobrado, para que a cobertura aconteça sem atrito.

Perguntas frequentes sobre a RN 681

O que é a RN 681 da ANS?

É a Resolução Normativa nº 681/2026, que altera a RN 465/2021 e inclui no Rol a colangioscopia peroral com litotripsia a laser ou eletro‑hidráulica, com a DUT 176.

Desde quando a cobertura da RN 681 é obrigatória?

Desde 3 de novembro de 2026. A norma foi publicada em 6 de outubro de 2026.

Qual é o texto da DUT 176?

Cobertura obrigatória para o tratamento de cálculos biliares complexos após falha de tratamento por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) convencional.

O plano de saúde precisa cobrir a colangioscopia com litotripsia como primeiro tratamento?

Não. Pela DUT 176, a cobertura obrigatória vale após falha da CPRE convencional, que continua sendo a primeira abordagem.

A colangioscopia com litotripsia tem código TUSS?

Até 04/11/2026, não. O procedimento ainda não tem código na TUSS, mas a cobertura já é obrigatória dentro da DUT 176.

Qual é o código CBHPM do procedimento?

4.02.02.85-2, com porte 13A, UCO 30,517, um auxiliar e porte anestésico 4.

Sem código TUSS, como cobrar o procedimento?

Operadora e prestador devem definir em contrato ou aditivo a forma de cobrança, usando os parâmetros da CBHPM como referência, até a publicação do código TUSS.

Qual a diferença entre litotripsia a laser e eletro‑hidráulica?

Na primeira, uma fibra conduz energia de laser até o cálculo. Na segunda, uma sonda gera ondas de choque em meio líquido. A DUT 176 cobre as duas.

Fontes

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